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– Prefácio –

Tu Faz –

Percebe só, já te falaram da vida e como ela devia ser…
Ninguém se preocupou em perguntar nada pra você
Mas se preocuparam em te ensinar…
Te ensinar o caminho que você tinha que escolher
E ai você foi… foi indo… afinal, a gente tá aqui pra isso mesmo não é?
Pra viver?
É sim… tu ia fazer o que? tu ia virar pro mundo e dizer:
“Olha aqui! A vida é minha e com ela eu faço o que eu quero!” ??
Não meu camarada não…
Você já vem ao mundo com um papel definido, sacou?
De cara, antes mesmo de você nascer
Você já corresponde aos sonhos e às expectativas de alguém…
Quando não ao pesadelo! É… é complicado!
Mas ai, ai vem a parte boa da história
E é boa porque é verdadeira
E a verdade que eu vim dizer é que
Tu faz o que quiser com você
Talvez o que tu chama de sonho
Não passe do seu instinto mais natural de sobrevivência
Afinal, sobreviver é ser feliz!
Então, sobreviva com amor

CAMINHANTE DANDE – Chico, ô Chico, vem Chico, desce daí menino! Francisco, vem lavar os pé! Ô Chico correndo, pulando, brincando! Chico menino do norte! Ô Chico!  Lava os pé meninu!

– Capítulo Único –

 

 

CAMINHANTE DUDA – Vou contar uma história pra vocês. Chico era um menino que perdeu a inocência, mas não perdeu os sonhos. Ele saiu da cidade pequena pra fugir da sociedade, mas se reencontrou com ela na cidade grande. Chico cresceu e virou seu Francisco. Seu Francisco não viveu sem dor. Foi muito zombado e criticado por ter acreditado em sonhos. O que as pessoas não sabiam é que seu Francisco colecionava pequenos momentos que valiam mais que uma vida. Seu Francisco não viveu também sem amor.

Seu Francisco –

Veio ao mundo à tarde num ato de amor
Crescido este menino do norte se tornaria um avô… O meu avô
Recebia em sua casa uma educação formal
Mas não sabia o esperava um golpe letal de sua mãe
Agora um órfão moral seguia um destino infame
Recém chegado ao Rio em fevereiro de um vexame
Numa situação igual a um malabares de sinal
Procurava solução para o seu inferno astral
Seu Francisco, destemido dava orgulho em sua prole!
Seu Francisco, feliz por ter um sonho nobre!
Seu Francisco conquistava a todos sem falar
Um velho amigo ponderava é o amor em seu olhar
Por trás das lentes
Venerado por seus netos ele então não vacilava
Mostrava o que era errado e certo conduzia a caminhada
Por entre espinhos
Tornou-se um modelo aqueles que um dia o zombaram
Hoje ele os olhava com sua honra restaurada
Em sua nova condição cicatrizaram as feridas
Havia achado a solução para o karma de outras vidas
Seu Francisco, destemido dava orgulho em sua prole!
Seu Francisco, feliz por ter um sonho nobre!
Seu Francisco, guerreiro infante lindo e forte!
Seu Francisco desafiou a sua própria sorte!

CAMINHANTE DUDA – Menino Chico cresceu, virou Seu Francisco, realizou sonhos e deixou histórias. Tinha uma coisa mítica que girava em torno de Seu Francisco. Ou pelo menos era assim que seu neto o enxergava. Pro neto de Seu Francisco, se os pais são os heróis, os avós tem aquele ar de mestre. Um dia, mexendo nas coisas do avô, encontrou um cachimbo, um lenço e um conto. Anos mais tarde ele leu aquele conto. Era um conto escrito pelo Seu Francisco. Um conto de fadas às avessas sobre um reino distante onde vigoravam duas leis:

A PRIMEIRA LEI É QUEM NINGUEM PODERIA EXERCER O DIREITO DE TER.

A SEGUNDA LEI É QUE NINGUEM PODERIA FAZER NADA EM BENEFICIO PRÓPRIO

A Menina, a flor e o camponês –

Era uma vez uma história de três
A Menina, a Flor e um Camponês
De reinos distantes viviam sob as mesmas leis
Todos os três
A Menina, a Flor e o Camponês
Pra continuar este belo conto
Explico a vocês quais eram as leis
A primeira que todos deviam saber
É que em vida nada deveriam ter
E a segunda lei para um trono almejar
É que todos seus feitos deveriam dar
Pois o tempo passou
E a Menina cresceu
De toda a sua era
A mais bela donzela
O Camponês produzia
Para presentear
E ao trono se ergueu
Para então governar
A Flor com amor
Cresceu sem pudor
E quem quer que encontrava
Despertava e amava
Mas a Menina crescida o Rei encontrou
Ele avistou uma Flor e a presenteou
A donzela havia então dado o seu coração
Menina e o Rei ardiam em paixão
Até que o dia chegou em que o Rei se casou
E então uma esposa ele passou a ter…
TER??
Contra a Lei!!
“E que sirva de lição para todos os habitantes do reino
Nem mesmo o Rei esta impune perante as nossas leis
O amor não foi feito pra ter, o amor foi feito pra dar!
E enquanto a lei não for respeitada
Não há Flor que faça crescer
Um amor digno de merecer!”
O Rei foi deposto
Pois quebrara a lei
De amante querido
À vergonha entre os reis
A Menina e a Flor
Com muito pra dar
Padeciam em dor
E viveram sozinhas para sempre
FIM

CAMINHANTE DUDA – O Neto leu o conto do avô e quando terminou alguma coisa tinha mudado. O conto virou seu mundo de cabeça pra baixo. Colocou o jornal debaixo do braço e na manhã já cansada foi trabalhar. Mas trabalhar, depois desse dia, nunca mais seria igual… saiu de casa se sentindo não muito mais do que um burro de carga.

Gari –

Pense em suas terras
Ou em suas crianças que você nunca viu
Passe a semana inteira
Desfrutando do meu penar
Avance no sinal vermelho
Sem se importar com quem vem na contra-mão
Contrate um burro de carga
Pra te ajudar a limpar
Toda a sujeira que você deixou
Todo o medo que você causou
Tudo aquilo que você fez de ruim pra mim
Quem diria que eu um dia
Já fui igual à você
Obras de arte e muitos milhares
Debaixo do meu colchão
Lançado de um precipício
Descobri qual era a minha missão
Olhar a Deus pai quando tudo se acabar
E não baixar o olhar
Limpar a sujeira que você deixou
Tratar todo o lixo que você criou
Deixar a mutreta de lado
E ser um bom Gari

CAMINHANTE DUDA E o neto de seu Francisco começou a perambular pela rua e vivendo o que jornal mostrava, sentou ali mesmo na calçada, meio vazio, meio nada, e se perguntou: Fazê o quê?

CAMINHANTE OTO – Fazê o que?

CAMINHANTE DANDE – Fazê o que se eu ultrapassei o sinal vermelho?

CAMINHANTE ZUZA – Fazê o que com massacre na escola?

CAMINHANTE DUDA – Fazê o que com a guerra? Se todo mundo erra?

CAMINHANTE OTO – Fazê o que com o petróleo? Fazê o que com o território?

CAMINHANTE DUDA – Fazê o que com a mãe, com a filha da mãe, com a criança do sinal?

CAMINHANTE DANDE – Fazê o que se eu tenho Mercedes? Se eu tenho sede?

CAMINHANTE OTO – Fazê o que com a fome? Com o que se come no lixo?

CAMINHANTE DUDA – Fazê o que Francisco?  Com o desperdício? Com o vício?

CAMINHANTE ZUZA – Fazê o que com as notícias do jornal do dia

CAMINHANTE OTO – Onde dormem João, José e Maria?

CAMINHANTE DANDE – Fazê o que com Osama?

CAMINHANTE ZUZA – Quem os ama?

CAMINHANTE OTO – Fazê o que com bandido, milícia, polícia, político ladrão?

CAMINHANTE ZUZA – Fazê o que com a religião?

CAMINHANTE DUDA – Fazê o quê com judeus, católicos, muçulmanos?

CAMINHANTE ZUZA – Fazê o quê com os humanos?

CAMINHANTE DANDE – Deus!

TODOS OS CAMINHANTES – Pai nosso, que estais no céu

Santificado seja o Vosso nome,

Venha a nós o Vosso reino,

Seja feita a Vossa vontade,

Assim na terra como no céu.

O pão nosso…

TODOS OS CAMINHANTES  – Pai nosso que não estas no céu.

Santificado seja Nosso nome

Venhas Vós ao Nosso reino

Seja feita Nossa vontade ..

Se Deus quisesse –

Acordo todo dia
E lembro da sorte que a gente tem
Mas vejo as pessoas tristes…
E percebo que
Se eu não me importar com elas
Vou perder o melhor que há em mim
O dia começa
A gente faz força pra levantar
Se anima e pensa
Na sorte que a gente tem
Eu lembro que sorte é relativo
Então eu devo estar só feliz meu bem
Mas sou obrigado
A conviver com o mundo
E me dói ver
Que as pessoas no mundo estão tristes
Que o mundo está triste
E eu gostaria de torná-lo mais feliz
Começo a perceber
Que a felicidade que eu quero
Esta ligada à elas, começo a entender
Que se eu não for capaz
De me emocionar com elas
Vou perder minha paz
Mas veja bem se Deus quisesse
Isso ia mudar
É dessa forma que eu vejo
Essa merda impregnada
Que as pessoas dizem:
“É assim mesmo… vai fazer o que?”
A obrigação dessa filosofia de
Sobrevivência emocional
Contra a vontade…
…vontade de ter coragem
Pra fazer pelo menos alguma coisa
Autenticamente correta
Pra mudar a vida dessas pessoas
Pra uma só que seja
Pra eu lembrar disso
Todo santo dia pra me perdoar
E lembrar que essa pessoa podia ser eu…
O que que eu ia achar de mim irmão
Se eu tivesse no seu lugar
O que que eu ia achar de mim irmão
Se eu tivesse nessa situação

CAMINHANTE DUDA

“Quem é você quando está dentro de você?
 Onde está você quando pensa?
 Quem é você enquanto sente?
 Você, de fora, vê quando age?
 QUEM VOCE PENSA QUE É!?”

O homem é um cadáver adiado.

Fernando Pessoa

Calau –

Eu passo o dia sem saber o que me espera
É tão normal o que se passa
Antes do desespero
Um punhado de minutos
Determina o fim da história
Um Walace arguto os domina
Um suspiro de esperança é o que resta
Uma imagem na cabeça, uma prece
Passos que separam
Um dia de um pesadelo
Há controle em nossa vida?
Uma ilusão agora eu penso…
Ainda penso??
A queda
“O corpo falha
A alma reclama
Uma qualidade intermediária sustenta:
A paciência”
Se não há Deus no dia de hoje
Porque insisto em sua ajuda?
Ou talvez haja, e a soberba não nos
Deixe ver a ignorância
O medo só existe no futuro
A esperança vive no presente
Meu presente é ter você ao meu lado
E a tristeza é então passado
Se não há Deus no dia de hoje
Porque insisto em sua ajuda?
Ou talvez haja, e a soberba não nos
Deixe ver a ignorância
Andai de mãos dadas
O amor é o único controle
Andai de mãos dadas
Nossos dias estão contados
Me dê a mão eu rezo paciência
Me dê a mão sustente meu irmão

CAMINHANTE DUDA  E o neto de seu Francisco, ao se deparar com a morte, percebeu que:

“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”

Fernando Pessoa

O Neto de Seu Francisco conseguiu escapar da morte… por enquanto. Mas não conseguiria escapar de escolher como viver a vida.

Zara –

E foi assim, com um doloroso golpe na nuca me pôs abaixo
Tornou-se clara enfim a mais óbvia das verdades
A que fechei os olhos pra não ver havia então me castigado
Por tamanha estultice a de preferir a ignorância
Oh! Pesada verborréia torna meu torpor parte do passado
E me levanto perante o mais cruel dos adversários das epopéias humanas
Estou diante de uma escolha…estou diante de uma escolha…
SIM! Estou diante de uma escolha!
Narrador:
“Quantos…quantos fabulosos guerreiros já não lutaram esta mesma batalha em vão
Falhando na improvável missão de sair desta ventura sem um arranhão”
Não Imbecis! Está escrito no espírito das escolhas
Que estas ceifarão ao menos um pedaço de nós
O qual ironicamente, costumamos apenas após, amar mais!
Mas não nego, se não posso vencê-la junto-me à ela
Prometo de hoje em diante fidelidade eterna a faculdade da escolha!
E esta promete a mim como recompensa
O indizível prazer de se fazer o que se pensa
Transformando todo o assim foi em assim eu quis!

CAMINHANTE DUDA – Eu sou o neto de Seu Francisco.

CAMINHANTE OTO – Eu sou o neto de Seu Francisco

CAMINHANTE DANDE – Eu sou o neto de Seu Francisco

CAMINHANTE BASTOS –  Eu sou o neto de Attila

CAMINHANTE ZUZA –  Eu sou neto de Demétrio

CAMINHANTE OTO –  Eu sou o neto de Américo

CAMINHANTE BASTOS –  Eu sou o neto de Werter

CAMINHANTE DANDE –  Eu sou o neto de Fernando

CAMINHANTE OTO – Eu sou o neto de Alberto

CAMINHANTE DUDA – Eu sou o neto de Orisimbo

CAMINHANTE ZUZA –  Eu sou o neto de Goulart

CAMINHANTE DANDE – Eu sou o neto de Roberto

Um coração bate.

Um coração bate.

Um coração bate.

Um coração bate.

Um coração bate.

Declaração de amor (próprio) –

Meu amor,
Pro que eu vou te falar
Não espero nada em troca
Nenhuma palavra sua
Eu não preciso de resposta
Nós já conversamos
Já entendi o seu ponto de vista
Pra você eu sou vítima do tempo
Pois este não era o seu momento
Te procuro e declaro
Eu to apaixonado
E me dizem “é suicídio”
E eu digo estou aliviado
Eu não tenho pudor de me declarar
Tenho orgulho do que sinto
Mas de você não vou me orgulhar
Eu formalizo meu amor
Não pra você se gabar
Mas por respeito a minha história
Que em meu último dia eu vou relembrar

TODOS OS CAMINHANTES – “E ele escolheu o amor.”

CAMINHANTE DANDE Agora vai!… Agora vai!…

CAMINHANTE DUDA – Tá Soltinho!

CAMINHANTE BASTOS – Vai sem medo!

CAMINHANTE ZUZA – Pula de olho fechado!

CAMINHANTE OTO – Vai moleque!

CAMINHANTE DANDE – E faça seu próprio mundo!

Bons Princípios –

Pretendo recordar da nossa história
Sem me arrepender
Eu tenho fé que o que ficou
Me servirá como lição
E o que mais me dói
São as razões que te fizeram desistir
Tanto medo e insegurança
Não podem ser motivos pra decidir
Mas se eu caio me levanto
Eu to aqui pra isso mesmo
Viver a vida ate o fim…
Então me olhe agora e veja
Como se faz pra ser alguém
Com orgulho de viver!
Não tem medo que me faça
Desistir de amar alguém
Você vai ver
É um princípio importante
Ter respeito aos meus sonhos!
Eu não sei pra você
Mas minha vida eu vou viver
Levando em conta
Que o melhor vai acontecer
Sinceramente eu sei
Que não foi fácil pra você
Mas sinto lhe informar
Que isso é falta de amor próprio
Então me libere
Me deixe em paz não banque a vítima
Eu não compro esse papel
Não te quero mais em vida
Não foi a primeira vez
Que algo ruim me serviu bem
Bastava entender…
Tu não faz parte da minha vida
Eu já sei disso há muito tempo
Me despeço de você
Eu tenho só uma vida inteira
Pra me tornar alguém melhor sem você
Eu te perdoo pelo que fizestes a mim
Mas me preocupo
Com o que vou te dizer
Como vou te perdoar
Pelo que fizestes a você!

– Posfácio –

Tu Faz

Talvez o que tu chama de sonho
Não passe do seu instinto mais natural de sobrevivência
Afinal, sobreviver é ser feliz!
Então, sobreviva com amor!

– FIM –

Todas as músicas por Duda Nascimento exceto

Calau por Duda Nascimento e Oto Ayres

Gari por Duda Nascimento e Rille

Todos os arranjos por Destemido Walace

Participação especial

Mariane Guerra em Gari

Destemido Walace é

Duda Nascimento – Voz e Violão

Rodrigo Bastos – Bateria e percussão

Oto Ayres – Guitarra, Violão e Ukelele

Tiago Zuza – Teclados, Escaleta e Backing Vocals

Fernando Dande – Baixo e Flauta

Roteiro da Incrível História Humana

Destemido Walace e Alessandra Gelio

Gostariamos de agradecer:

Rille, Felipe Noro, Pedro Gaspar, Mauricio Meloni, Anna Carolina Barros, Alexander Gogol, Mariane Guerra, Alice Hipolito, Alessandra Gelio, Lara Schueler, Pri Villas Boas, Rafael Viana, Francine Almeida, Karla Oldane e Alexandre Griva por suas inestimáveis contribuições ao Destemido Walace, tornando a realização desse CD (e de muitos outros sonhos) possível.

Fica tambem nosso agradecimento a todos os amigos e familiares por seu infinito apoio!

Obrigado!